Os Peões da Mesa Redonda

santo-graal

muito, muito tempo atrás, existia aqui no Brasil uma grande propriedade rural. O seu dono era o Coronel Arthur, mais conhecido pelas redondezas por Coronel Artuzim. Sua fazenda era realmente muito grande, e tamanha era sua importância, que o Coronel Artuzim era tido como um rei na região.

Mas, ao contrário do que se possa pensar, pela imagem negativa que o título de Coronel pode trazer, Artuzim era um homem muito bom. Era de família muito religiosa e tentava praticar ao máximo aquilo que acreditava ser verdadeiramente a fé em Cristo Nosso Senhor. Sempre andava de branco e cultivava uma barba muito bem cuidada. Já estava perto dos setenta anos quando esse caso aconteceu.

Em um belo dia, Coronel Artuzim convocou os peões mais corajosos daquelas bandas para uma reunião na sede da fazenda. Era uma manhã de sol agradável e a reunião ocorreu na varanda da casa, com todos ao redor de uma grande mesa redonda abastecidos por deliciosos quitutes e garrafas de café.

Após um tempo de comes e bebes, Coronel Artuzim se levantou e começou a falar:

-Minha gente, bom dia pr’oceis. Vou direto ao assunto porque não sou home de rodeios. Eu chamei ocês aqui por causa de um assunto muito sério. Mais do que um assunto, é uma missão.

-Nosso amigo, o Velho Dito Benzedô, numa dessas noite, teve um sonho com um dos seus guia…bom melhor ele conta. Fala pra eles Dito

Nisso o Velho Dito que estava sentado se levantou. Dito era o benzedor da região. Benzia de todos os males conhecidos (e as vezes até dos desconhecidos). Era também um conselheiro e um mentor espiritual. Sua fama trazia gente de toda redondeza para uma benzedura, passe e conselhos. Já estava para lá dos setenta anos e tinha a aparência bem castigada pelos muitos anos de trabalho no sol ardente. Apesar disso, seus olhos mostravam vitalidade que poucos em torno daquela mesa tinham igual.

Dito cumprimentou com um aceno de cabeça e timidamente começou a falar.

-Numa dessas noite, um guia me visitou lá em casa. Ele me disse que o Sagrado Cálice usado na úrtima ceia por Nosso Senhor Jesus Cristo está aqui no Brasil. Ele nas mão certa vai trazer muitas benção para o povo. Nas mão do inimigo, ele pode esconde o cálice e nóis não vamo ter as benção sagrada do Nosso Senhor. Nóis tem que achar.

Com toda fé e confiança em si e nos seus homens, o Coronel Artuzim tomou a palavra:

-É por isso que ocês tão aqui ! Quero saber quem tá disposto a partir nessa missão?

Mais que depressa todos os peões levantaram a mão e gritaram “EU”

Uma algazarra de “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo…”, “…Amém…”, “…eu vou…”, “…eu também…” tomou conta da reunião.

-Calma gente, calma – gritava Coronel Artuzim – Espera um pouco, se acalmem…

Depois de muito trabalho o coronel conseguiu acalmar os ânimos da peãozada.

-Eu sabia que ocês iam topa. Mas, minha gente, não é todos que podem ir. O trabalho na fazenda não pode parar e essa missão também é perigosa. É uma coisa pros mais novo.

Nova algazarra. Uns concordando e os mais antigos discordando. Com muito custo, chegaram num consenso que os mais novos e solteiros seriam os que participariam da busca pelo cálice.

Após mais um tempo de discussão escolheram os seis peões mais jovens, solteiros, fortes e valentes daquelas bandas. A conversa então rumou para os preparativos da missão. Coisas do tipo “Pra onde vamos?”, “quanto tempo”…“quem é o inimigo?” .

Foi ai que o Velho Dito se levantou da cadeira

-Óia, o guia me disse que pra encontra o Cálice, só os homi mais corajoso.

-Então é nóis – gritaram os peões empolgados – E como nóis vai acha o Cálice Véio Dito?

Aquele de ocês que tive o coração mais leve e for puro é que vai guia a missão e vai consegui encontra o Cálice

Todos se olharam preocupados – Como assim puro Véio Dito?

-Puro uai! Que é donzelo, nunca funhanho…

Nova algazarra – “eu num sô”, “eu tomem não…”

Coronel Artuzim, bem agitado perguntou – Mas não é possível! Ningué, aqui é “virgi” mais?

-Óia Coroné – repondeu um dos peões – virgi memo é capaz de ser só o Percivar fio do Tonico da Dona Zurmira

-Mas então arguém me vai chama logo esse Percivar!

-Coroné…o Percivar só tem quatro ano.

-Ixi, mais aí danou-se!!

E assim, antes mesmo de começar, chegou ao fim a primeira missão de busca ao Santo Cálice em terras brasileiras. Para aqueles homens ficou a esperança que o Percival crescesse corajoso, forte, de coração puro e que não “funhanhasse” até encontrar o bendito Cálice.

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