O Galo do Papai Noel


galo

Alphonse é o galo responsável por acordar todos os moradores da Vila Encantada do Polo Norte, lar do Papai Noel e dos seus ajudantes. E mais que isso, é o responsável pela coordenação das equipes da Fabrica do Noel. Um cargo de muita responsabilidade e estressante, principalmente no Natal e nos dias que o antecedem. E é aqui que a história começa.

-CÓ!!!!! – Alphonse pulou da cama aterrorizado, seu pior pesadelo havia acontecido. Ele perdeu a hora

-Jesus Cristo, 07:00 da manhã? Perdi a hora justamente na véspera do Natal!!

Alphonse saiu correndo do seu alojamento e rumou para a Torre do Despertar. Chegou no alto da Torre bufando (foram vários lances de escada). Tomou ar, muito ar. Depois de se restabelecer, pegou o microfone e cantou:

-COCORICÓ!!COCORICÓ…

O som soou por toda a vila e logo as luzes das casas foram acendendo e os Duendes do Gelo se preparando para o trabalho.

Uma hora depois as equipes do turno chegaram a estação de trabalho. Organizando as equipes estava Gertrude a Duende Chefe e auxiliar direta de Alphonse.

-Gertrude, uma coisa terrível! Perdi a hora – dissse Alphonse – E Justo hoje. Temos muita coisa para fazer até recuperar o atraso.

-Traga as equipes extras Gertrude. Temos que terminar os brinquedos e carregar os trenós do Papai Noel.

-Mas Alphonse, isso não é necessário…

-Você sabe que dia é hoje Gertrude?

-Eu sei, mas não acho…

-Então é necessário Gertrude! Convoque logo as equipes.

Gertrude saiu para convocar os funcionários extras. Pouco tempo depois a fábrica já funcionava a pleno vapor. Alphonse fez todos os Duendes trabalhar sem parar. Até a pausa para o almoço foi de poucos minutos e de forma escalonada.

Quase no fim do dia, Papai Noel chegou a Fábrica. Vendo aquela movimentação alucinada, foi procurar Alphonse.

-Alphonse, o que está acontecendo?

-Papai Noel, hoje aconteceu algo terrível. Perdi a hora.

-Eu sei Alphonse, mas…

-Então, para recuperar o atraso, convoquei todas as equipes. Cancelei as folgas e trabalhamos duro o dia todo…

-Estou vendo Alphonse, mas não estou en…

-Graças a Deus deu certo Papai Noel! Terminamos os brinquedos, carregamos os trenós e já alimentamos as renas. Já está tudo pronto para sua partida!

-Pois é Alphonse. Não estou entendendo o por quê de tudo isso hoje.

-Como assim Papai Noel? Hoje é véspera de Natal e…

-Não Alphonse. Hojé é 23 de Dezembro, não 24.

PUMM – Alphonse caiu duro no chão.

No fim da história, Papai Noel teve que pagar as horas extras dos Duendes e ainda dar o dia 24 de folga para quase todos os funcionários. Ao menos na véspera de Natal já estava tudo pronto.

E o Alphonse teve um colapso nervoso e o Papai Noel o encaminhou para terapia. Uma vez por semana, aliada a aulas de pilates duas vezes na semana.

E todos viverão felizes até…o próximo Natal.

Fim!

Os Peões da Mesa Redonda

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muito, muito tempo atrás, existia aqui no Brasil uma grande propriedade rural. O seu dono era o Coronel Arthur, mais conhecido pelas redondezas por Coronel Artuzim. Sua fazenda era realmente muito grande, e tamanha era sua importância, que o Coronel Artuzim era tido como um rei na região.

Mas, ao contrário do que se possa pensar, pela imagem negativa que o título de Coronel pode trazer, Artuzim era um homem muito bom. Era de família muito religiosa e tentava praticar ao máximo aquilo que acreditava ser verdadeiramente a fé em Cristo Nosso Senhor. Sempre andava de branco e cultivava uma barba muito bem cuidada. Já estava perto dos setenta anos quando esse caso aconteceu.

Em um belo dia, Coronel Artuzim convocou os peões mais corajosos daquelas bandas para uma reunião na sede da fazenda. Era uma manhã de sol agradável e a reunião ocorreu na varanda da casa, com todos ao redor de uma grande mesa redonda abastecidos por deliciosos quitutes e garrafas de café.

Após um tempo de comes e bebes, Coronel Artuzim se levantou e começou a falar:

-Minha gente, bom dia pr’oceis. Vou direto ao assunto porque não sou home de rodeios. Eu chamei ocês aqui por causa de um assunto muito sério. Mais do que um assunto, é uma missão.

-Nosso amigo, o Velho Dito Benzedô, numa dessas noite, teve um sonho com um dos seus guia…bom melhor ele conta. Fala pra eles Dito

Nisso o Velho Dito que estava sentado se levantou. Dito era o benzedor da região. Benzia de todos os males conhecidos (e as vezes até dos desconhecidos). Era também um conselheiro e um mentor espiritual. Sua fama trazia gente de toda redondeza para uma benzedura, passe e conselhos. Já estava para lá dos setenta anos e tinha a aparência bem castigada pelos muitos anos de trabalho no sol ardente. Apesar disso, seus olhos mostravam vitalidade que poucos em torno daquela mesa tinham igual.

Dito cumprimentou com um aceno de cabeça e timidamente começou a falar.

-Numa dessas noite, um guia me visitou lá em casa. Ele me disse que o Sagrado Cálice usado na úrtima ceia por Nosso Senhor Jesus Cristo está aqui no Brasil. Ele nas mão certa vai trazer muitas benção para o povo. Nas mão do inimigo, ele pode esconde o cálice e nóis não vamo ter as benção sagrada do Nosso Senhor. Nóis tem que achar.

Com toda fé e confiança em si e nos seus homens, o Coronel Artuzim tomou a palavra:

-É por isso que ocês tão aqui ! Quero saber quem tá disposto a partir nessa missão?

Mais que depressa todos os peões levantaram a mão e gritaram “EU”

Uma algazarra de “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo…”, “…Amém…”, “…eu vou…”, “…eu também…” tomou conta da reunião.

-Calma gente, calma – gritava Coronel Artuzim – Espera um pouco, se acalmem…

Depois de muito trabalho o coronel conseguiu acalmar os ânimos da peãozada.

-Eu sabia que ocês iam topa. Mas, minha gente, não é todos que podem ir. O trabalho na fazenda não pode parar e essa missão também é perigosa. É uma coisa pros mais novo.

Nova algazarra. Uns concordando e os mais antigos discordando. Com muito custo, chegaram num consenso que os mais novos e solteiros seriam os que participariam da busca pelo cálice.

Após mais um tempo de discussão escolheram os seis peões mais jovens, solteiros, fortes e valentes daquelas bandas. A conversa então rumou para os preparativos da missão. Coisas do tipo “Pra onde vamos?”, “quanto tempo”…“quem é o inimigo?” .

Foi ai que o Velho Dito se levantou da cadeira

-Óia, o guia me disse que pra encontra o Cálice, só os homi mais corajoso.

-Então é nóis – gritaram os peões empolgados – E como nóis vai acha o Cálice Véio Dito?

Aquele de ocês que tive o coração mais leve e for puro é que vai guia a missão e vai consegui encontra o Cálice

Todos se olharam preocupados – Como assim puro Véio Dito?

-Puro uai! Que é donzelo, nunca funhanho…

Nova algazarra – “eu num sô”, “eu tomem não…”

Coronel Artuzim, bem agitado perguntou – Mas não é possível! Ningué, aqui é “virgi” mais?

-Óia Coroné – repondeu um dos peões – virgi memo é capaz de ser só o Percivar fio do Tonico da Dona Zurmira

-Mas então arguém me vai chama logo esse Percivar!

-Coroné…o Percivar só tem quatro ano.

-Ixi, mais aí danou-se!!

E assim, antes mesmo de começar, chegou ao fim a primeira missão de busca ao Santo Cálice em terras brasileiras. Para aqueles homens ficou a esperança que o Percival crescesse corajoso, forte, de coração puro e que não “funhanhasse” até encontrar o bendito Cálice.